May
19
2011

Análise: recessão no Japão pode incentivar forte retomada

A economia japonesa entrou em recessão no primeiro trimestre, encolhendo 0,9%, depois que o terremoto de março atingiu o consumo e a cadeia produtiva 

Analistas, que esperavam uma queda de 0,5%, subestimaram o impacto do terremoto sobre a produção longe do epicentro. Mas interrupção não é o mesmo que destruição. E se os números negativos incentivam o Banco do Japão a tomar medidas, a queda pode prenunciar uma recuperação mais dramática.

O terremoto e a crise nuclear surpreenderam os analistas nos efeitos em partes da economia que, à primeira vista, pareciam fora de perigo. Os consumidores do Japão apertaram os cintos em solidariedade, levando o consumo privado a uma queda de 0,6% na comparação trimestral.

E os prejuízos a fábricas no norte do Japão afetaram a cadeia produtiva, forçando montadoras e fabricantes de eletrônicos a cortar a produção em todos os lugares e contribuiu com um declínio de 0,2% nas exportações. Isso é menos sério do que parece. Dado que a demanda global por carros e eletrônicos segue alta, o Japão pode esperar que a produção seja retomada nos próximos meses.

As linhas de produção que pararam temporariamente serão retomadas. Os sinais são bons: Nissan e Honda disseram que as fábricas estão voltando ao normal mais rapidamente que o esperado. Encomendas de máquinas em março subiram inesperadamente 2,9%. Acrescente a isso o estímulo de investimentos em reconstrução pelo governo e o risco setor privado e a recuperação em “V” deve ser elevada e não extensa.

A economia se contraiu no último trimestre de 2010, bem antes do terremoto. O crescimento sustentável depende do que os formuladores de política farão agora. Um começo seria expandir o pacote de gastos emergenciais de 4 trilhões de ienes.

O Banco do Japão também poderia aliviar a política monetária para incentivar mais investimentos. Após uma dose inicial de impressão de dinheiro após o terremoto, seu balanço está diminuindo. Embora uma recuperação pareça provável, a última coisa de que o Japão precisa é complacência.

Por: Reuters

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