Aug
31
2011

Yoshihiko Noda assume cargo de premiê com desafio de mudar o Japão.

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O até agora titular de Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, assumiu nesta terça-feira o cargo de primeiro-ministro com o desafio de completar a reconstrução do país depois da tragédia de 11 de março, fechar a crise nuclear e endireitar a complexa situação econômica.

Noda, 54 anos, chega ao poder substituindo Naoto Kan, que nesta terça-feira tornou efetiva a renúncia anunciada três meses atrás, quando, assediado pelas críticas, afirmou que renunciaria após canalizar a recuperação das áreas devastadas no nordeste do país.

O governo de Kan renunciou em massa nesta manhã para permitir a nomeação de Noda na Câmara Baixa japonesa, controlada pelo governante Partido Democrático do Japão (PDJ) e decisivo na hora de designar o primeiro-ministro.

O ex-ministro das Finanças assume o cargo com uma visão política continuísta na esteira que marcou a era Kan, quem expressou sua confiança em que seu sucessor consiga aplicar as reformas tributárias e de seguridade social desenhadas por seu governo.

Noda, assim como Kan, assume o governo do Executivo depois de ter sido ministro de Finanças, após a renúncia de seu antecessor e sem provir de uma família de linhagem política.

Sua nomeação o transforma no sexto chefe de governo em cinco anos, que tem diante de si a oportunidade de melhorar a lenta e errática gestão de Naoto Kan, lastrado pela falta de apoio dentro do próprio partido e cuja popularidade despencou após a tragédia de 11 de março.

Após passar nesta terça-feira pelo trâmite de nomeação conduzida pelo imperador do Japão, Akihito, que em seus 22 anos de reinado viu passar dezesseis primeiros-ministros, espera-se que Yoshihito Noda forme seu Gabinete nesta mesma semana.

Entre os nomes cogitados para os ministérios-chaves, como o de Finanças, figura Yoshito Sengoku, um histórico político do PDJ que foi porta-voz do governo e ministro da Justiça no Executivo de Kan, e o de Katsuya Okada, ex-secretário-geral do partido e ex-titular de Relações Exteriores.

O novo primeiro-ministro herda o cenário de um país que carrega o peso da maior dívida pública do mundo industrializado, mais que o dobro do Produto Interno Bruto, uma persistente deflação e a valorização de sua divisa, que prejudica aos exportadores.

Para resistir esta situação, Noda é partidário de uma dura disciplina fiscal que cubra a custosa reconstrução do nordeste após 11 de março.

Neste sentido, o novo primeiro-ministro afirmou após sua nomeação que o governo “deve responder de acordo com as linhas básicas da Lei de Reconstrução”, o que indica manterá o plano inicial de custear as despesas de 11 de março através da alta de impostos.

Espera-se que o Executivo de Noda pressione para aplicar um aumento progressivo do IVA, atualmente em 5%, para 10%, com o objetivo de cobrir os crescentes custos derivados de uma das sociedades mais envelhecidas do mundo e com maior expectativa de vida.

A medida é impopular porque ameaça esfriar o consumo privado, por isso espera-se que Noda escolha pesos pesados do partido para liderar suas principais pastas e conseguir assim amplo apoio.

Por enquanto, o chefe de governo apontou que o posto de secretário-geral do PDJ será ocupado por Azuma Koshiishi, considerado um dos homens próximos ao poderoso Ichiro Ozawa, ex-secretário-geral do partido. Este movimento seria dirigido a conciliar as diferentes facções dentro da formação, na qual Noda apenas tem apoio da base.

O novo chefe de governo se mostrou favorável nesta terça-feira de buscar apoio na oposição para pactuar a política fiscal, ao mesmo tempo em que expressou sua intenção de tentar aprovar um terceiro orçamento extraordinário para financiar a reconstrução.

Por: EFE
Foto:AP

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